Alex PHOENIX Music · grupo
Mundivaga
Um país, uma língua, um instrumento, uma pessoa.
Mundivaga, do latim mundivagus: quem percorre o mundo. A palavra é antiga e rara; servia para dizer os peregrinos, os mercadores, as aves de passagem, tudo o que não fica. Cá em casa, a verdadeira mundivaga é a Palmi: uma andorinha-das-chaminés que parte cada inverno para África e para a Ásia e volta na primavera. Um dia voltou com uma canção que ninguém tinha ouvido, uma história de chá e de feira trazida do Punjab. Lá, o chá diz-se chāh; cá, chá. A mesma palavra, saída de Macau num barco português. Uma canção pede alguém que a cante. Então o porto encheu-se: o Alex na guitarra portuguesa, a Maya vinda das ilhas com um cavaquinho, o Tonton e o seu camião, a Clara da outra margem, o Mika e o seu koto, a Virginie e o seu violino, depois a Jaspreet, o Tomás Lei, a Nélia. São os Mundivaga: cada país atravessado acolhe um cantor novo e o seu instrumento. A Palmi não canta. Conta, uma frase antes de cada canção, e parte outra vez.
Os fundadores

Alex PHOENIX
Os fundadores · Portugal
Instrumento Guitarra portuguesa — 12 cordas em 6 ordens
Ele guarda o porto. Tudo parte daqui, tudo aqui volta.

Maya Luna
Os fundadores · Cabo Verde (Mindelo)
Instrumento Cavaquinho — 4 cordas; a morna, prima do fado
A voz que faz subir as marés.

Tonton la Route
Os fundadores · França
Instrumento Acordeão — o baile, o camião, a paragem
Eu conduzo. Os outros sobem atrás com os instrumentos.

Clara entre deux rives
Os fundadores · Brasil (Bahia)
Instrumento Berimbau — uma corda, uma cabaça, o caxixi
A mesma língua que Portugal. O sotaque só apanhou sol.

Mika
Os fundadores · Japão (Nagasaki)
Instrumento Koto — 13 cordas, cavaletes móveis
Envio as cartas e escrevo as partituras. As duas viajam.

Virginie
Os fundadores · Canadá (Quebeque)
Instrumento Violino — a giga, o serão, o pé que bate
Lá em casa, o inverno dura seis meses. Aprendemos a dançar lá dentro.
Os convidados

Jaspreet
Os convidados · Índia (Punjab e Goa)
Instrumento Tumbi — uma só corda tocada com o indicador; dhol
Sou eu, a rapariga da barraca de chá da feira.

Tomás Lei
Os convidados · China (Macau)
Instrumento Erhu — 2 cordas, o arco preso entre as cordas
O chá partiu da minha terra para Lisboa. A canção faz o caminho ao contrário.

Nélia
Os convidados · Moçambique (Maputo)
Instrumento Timbila — o xilofone dos Chopes, património da UNESCO
É aqui que a andorinha passa o inverno. Parte com um ritmo a mais.

Nona de Malaca
Os convidados · Malásia (Malaca)
Instrumento Rebana e viola — o branyo, a dança dos Kristang
Quinhentos anos depois, fala-se lá um português que Lisboa já não reconhece.

Dário de Ceilão
Os convidados · Sri Lanka (Ceilão)
Instrumento Guitarra e rabana — o baila, o kaffringha
Uma festa pode sobreviver a um império. Esta durou cinco séculos.

Alita de Timor
Os convidados · Timor-Leste (Díli)
Instrumento Babadok — o tambor do tebe-tebe, a roda ombro com ombro
Aqui o português não foi imposto: foi escolhido, depois.
A narradora
As viagens da Palmi
